A ansiedade pode ser considerada um sentimento natural do ser humano diante de situações desconhecidas e novas ao longo da vida, desde o nascimento até a morte. À medida que a pessoa cresce, ela se torna consciente das mudanças internas e externas, o que gera a necessidade de adaptação. Viver, em essência, é adaptar-se, embora a percepção de mudança possa causar desconforto e diferentes graus de sofrimento. A ansiedade é uma experiência única e pessoal (CABRERA & SPONHOLS JR, in BOTEGA 2002).
Do ponto de vista biológico, a ansiedade é uma resposta do organismo a estímulos que podem indicar perigo ou ameaça. A psicofisiologia demonstra que a ansiedade é resultado da ativação da área do córtex cerebral, localizada na região da amígdala. Essa ativação é uma reação de defesa natural do organismo, oferecendo vantagens evolutivas ao preparar o indivíduo para enfrentar ou fugir de situações ameaçadoras. As reações associadas à ansiedade incluem emoções como medo, insegurança e incertezas, além de manifestações corporais, como palpitação, dilatação da pupila e sudorese (BRAGA, 2010).
Na abordagem da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, as reações do indivíduo à ansiedade podem ser consideradas adaptativas, quando não causam desconforto ou problemas, ou disfuncionais, quando a ansiedade atinge níveis mais elevados, resultando em perda de controle, estresse e prejuízos nas atividades diárias e no bem-estar emocional. Dessa forma, a ansiedade pode ser considerada um problema e até mesmo ser classificada como um transtorno neuropsiquiátrico.
Os sinais de ansiedade podem ser observados por meio de vários fatores:
Existem diversos tratamentos e técnicas disponíveis para lidar com a ansiedade. No entanto, a auto-observação dos sinais de ansiedade desempenha um papel importante. Observar os fatores que desencadeiam a ansiedade e, se possível, identificar os estímulos que levam a esses sinais é um passo relevante. Esse processo está relacionado ao aprendizado.
Para que ocorra uma aprendizagem efetiva, é necessário ter disposição para aprender, ou seja, vontade de adquirir conhecimento. A partir disso, é preciso atribuir sentido ao que está sendo aprendido, pois cada indivíduo atribui um valor psicológico próprio. O cérebro é o órgão responsável pelo processo de aprendizagem no corpo. O desenvolvimento adequado do sistema nervoso central e das funções cognitivas é essencial para que a aprendizagem ocorra de fato. Além disso, o processo de aprendizagem acontece na interação do indivíduo com o ambiente em que está inserido, ou seja, na vida (RUSSO, 2015).
O neurofeedback é uma técnica que combina princípios de aprendizagem e terapia comportamental para treinar a autorregulação da atividade elétrica do córtex cerebral. Ele utiliza tecnologia que inclui o uso de um dispositivo de eletroencefalograma (EEG) e softwares específicos para captar, monitorar e utilizar os dados coletados em tempo real como estímulo e resposta. A atividade elétrica do córtex cerebral é medida em frequências de ondas, como alfa, beta, theta, gama ou delta, e é expressa em Hertz (Hz). Existem diferentes modalidades de neurofeedback, que se distinguem pelo tipo de equipamento e software utilizados (BIRBAUMER, 2009; COBEN & EVANS, 2010).
O neurofeedback de SCP (Potencial Cortical Lento, na sigla em inglês) é uma modalidade específica de neurofeedback. Ele atua por meio da regulação da atividade elétrica cortical denominada Potencial Cortical Lento, que pode ser considerado um pré-disparo neuronal ou pré-sináptico. Essa atividade pode ser desenvolvida por meio de treinamento, permitindo a neuroplasticidade.
O treinamento do neurofeedback de SCP ocorre por meio de protocolos específicos. As sessões de treinamento envolvem a colocação correta dos eletrodos, a leitura adequada do sinal elétrico cortical, a duração e o número de sessões. Os protocolos são personalizados de acordo com o perfil e as necessidades do indivíduo, permitindo a aprendizagem da autorregulação dos potenciais corticais lentos. Cada sessão tem duração aproximada de uma hora e pode ocorrer ao longo de dias ou semanas, conforme o protocolo personalizado.
Referências bibliográficas:
Fonte : https://www.drhigashi.com.br/neurofeedback-treinamento-nao-medicamentoso-para-a-reducao-da-ansiedade/